
Francisco Miguel de Moura*
Vivemos num mundo de mudanças muito rápidas, em direções diversas e até contrárias ao estágio anterior. É um mundo meio louco. Dois exemplos, recebidos por escrito, são suficientes para a confirmação. O primeiro foi através de um e-mail de minha amiga escritora e agitadora cultural, Teresinka Pereira, atual presidente da Associação Internacional de Escritores e Artistas (IWA, sigla em inglês, pois tem sede nos Estados Unidos), cuja correspondência transmite um fato estarrecedor, ocorrido no Brasil de hoje: “Paulo, 28 anos, casado com Sônia, grávida de quatro meses, desempregado há dois meses, sem ter o que comer em casa, foi ao rio Piratuaba-SP, distante cinco quilômetros de sua casa, pescar para ter uma misturinha com o arroz e feijão, e pegou 900 gramas de lambari, sem saber que era proibido a pesca naquela época, por isto foi detido por dois dias, antes tendo levado umas porradas. Um amigo pagou a fiança de R$ 280,00 para liberá-lo e ficou devendo ao IBAMA uma multa de R$ 724,00. A mulher Sônia, sem saber o que acontecera com o marido supostamente desaparecido, ficou nervosa, passou mal e foi parar no hospital, onde sofreu aborto. Ao sair da detenção, Paulo recebe a notícia de que a esposa estava no hospital e perdera o filho. Tudo isto por causa dos míseros peixinhos que ficaram apodrecendo no lixo da delegacia. Quem poderá devolver o filho a Sônia e Paulo? Enquanto isto acontece, Henri Philippe Reichstul, de origem estrangeira, Presidente da PETROBRAS, é responsável pelo derramamento de um milhão e 300 mil litros de óleo na Baía da Guanabara, matando milhares de peixes e pássaros marinhos. Responde também pelo derramamento de cerca de quatro milhões de litros de óleo no rio Iguaçu, que ficam destruindo a flora e fauna e comprometendo o abastecimento de água em várias cidades da região. Crime contra a natureza, inafiançável, mas encontra-se em liberdade”.
Os fatos acima beiram o absurdo. Mas vejamos ainda as declarações da atriz Catherine Deneuve, publicadas pela Veja (22.6.2011), sobre a proibição aos fumantes. Perguntada se era fumante num mundo que quer banir cigarro, ela responde: “Entendo o desejo de proteger os não fumantes, mas considero as restrições ao cigarro e aos fumantes um atentado à liberdade individual, um exagero. Enquanto se proíbe o cigarro, vários carros estão nas ruas poluindo tudo com fumaça preta”. As palavras de Deneuve são interessantíssimas e não se restringem apenas ao cigarro, à poluição. Mas, para mostrar que nosso mundo é muito estranho, louco – esta parte é suficiente.
Por último, ressalto um problema inserido no rol do que chamo de “um mundo meio louco”: - A união patrimonial de pessoas do mesmo sexo, consagrada pela justiça, e matrimonialmente por conta do direito que tem o “casal” à adoção de crianças. A ciência, porque depende do poder, tem sido leniente, quase covarde em não firmar que a homossexualidade é uma exceção (ou desvio) da natureza, não uma regra. Todos, de qualquer sexo ou de nenhum, é claro, devem ter uma vida digna, com direitos e deveres cívicos, sem preconceitos, porém deveriam ser tratados como minorias enquanto são. Nada de mascarar a verdade. O problema é que estas e outras minorias, no mundo chamado moderno, contemporâneo, “mundo meio louco”, têm sido erroneamente elevadas a modelo ou padrão, no meu juízo e no de muitos que se calam, sejam minorias sociais, sejam naturais. Culpo principalmente a mídia, de modo especial a tevê, pela forma como apresenta o fenômeno. E nem temos como pensar a que destino nos levarão essas estranhezas. Vamos chegar a um tempo em que os casais verdadeiros vão ter vergonha (ou já têm?) de dizer que são casados. É a morte inelutável da família, célula mater da sociedade, desde os primórdios.
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*Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro, mora em Teresina, PI.