Bem Vindo ao Blog de Fco. Santos - PI

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Mate a sua saudade da Nossa Terra

DÔE PARA O BLOG DE FRANCISCO SANTOS - PI

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Texto do nosso conterrâneo José Carmo Filho.

NÃO JULGUEIS…

Muito importante e digna de elogio a iniciativa de lançar-se um blog da cidade de Francisco Santos-Pi. Por seu intermédio, muitas informações e notícias ficam ao alcance de muitos moradores, como também de conterrâneos que residem em outras localidades. Os benefícios são evidentes e os mais diversos. O seu responsável, Sr. Antônio José, é merecedor, portanto, do reconhecimento e da ajuda dos seus participantes, inclusive financeiramente.

Louvável também a postagem de crônicas, poesias, artigos e outras matérias de interesse geral ainda que alguns possam despertar polêmicas acaloradas, que não devem extrapolar o bom senso e sem ofensas pessoais. Contudo, não foi exatamente isto que se verificou recentemente, diante da abordagem de questão sensível, com grandes probabilidades, por conseguinte, de desdobramentos no campo emocional. No caso em apreço faltou, salvo melhor juízo, a autocrítica por parte de algumas pessoas, deixando-se por isto mesmo resvalar para a indelicadeza e julgamentos apressados (no sentido de apreciação, de exame). De positivo, no entanto, restou o aprendizado, que nos ajudará, de futuro, a melhor nos posicionar em circunstâncias semelhantes.

O prejuízo decorrente do mencionado incidente atinge à comunidade franciscosantense, com prováveis reflexos negativos para o bom desempenho do blog, porquanto muitos poderão sentir-se desestimulados a colaborar com sua inteligência e criatividade. Certamente a boa vontade e o exame de consciência de parte a parte mitigariam tais danos.

Uma indagação vem à tona. Porque aquela matéria, que gerou tanto debate, despertou tamanho interesse, enquanto as duas crônicas de Isis Celiane (Um Palhaço no Parlamento e o Natal Que Não Percebemos), também postados há pouco tempo no citado blog, praticamente foram ignoradas, no que se refere aos comentários? Os assuntos nelas tratados tinham relevância, abrangência e significação, tanto ou mais do que a mal compreendida crônica, sutilmente aqui mencionada. Não é minha pretensão, todavia discutir neste singelo escrito as possíveis causas do problema em foco, até porque o seu deslinde depende de conhecimento especializado, que não tenho.

Nos Três casos, os temas sob comento são diferentes, mas se reportam a algo em comum - e não precisa ser especialista para a constatação: as imperfeições humanas sejam elas no campo político, social ou religioso. A questão vista por este ângulo viabiliza pelo menos o descortino de caminhos, na medida de que cada um possa colaborar, de forma construtiva, para que a razão prevaleça, com aproveitamento e vantagens diversas para todos. A discussão, a crítica, o julgamento fazem parte da convivência democrática, mas devem ser limitados pelos valores mais nobres já alcançados pela civilização como a dignidade, a honradez e o respeito ao direito do outro. Poder-se-ia adotar simplesmente, em situações como a que se discute aqui, a velha e sempre atual máxima: não faça ao outro aquilo que não quer (ou não é bom) para si.

Uma medida que poderia ser estudada pelo responsável pelo blog, objetivando a transparência e seriedade deste veículo seria talvez escoimá-lo de manifestações anônimas, se isto for tecnicamente possível, e de eventuais excessos que, porventura, venha a ocorrer futuramente.

A esta altura alguém pode ponderar: mas não se trata de mais um discurso de caráter moralista ou de cunho religioso? Pode até ser, e disto não me envergonharia, mas não é este o propósito. Lembram-se daquela surrada estória do passarinho que tentava apagar o fogo na floresta com gotículas de água que transportava no bico? Pois é, com esta manifestação estou apenas fazendo a minha parte, com a melhor das intenções.

Urge, pois, que cada participante do blog de Francisco Santos continue dando sua valiosa contribuição, valorizando este meio de comunicação – gratuito – sempre com o pensamento voltado para o bem comum.

José Carmo Filho - Brasília-DF

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Poema da Escritora e conterrânea Isis Celiane

QUANDO CHEGA A VELHICE (Isis Celiane)


Aquela voz que outrora gritava

e esbravejava por seus ideais,

agora enfraquecida quase não fala,

quando raramente não cala,

diz manso, diz baixinho.


O corpo sempre apoiado,

não arrisca um passo sem seu bastão.

Aquele bordão que lhe sustenta a matéria cansada,

servindo de apoio a velha mão calejada.

Marca que o trabalho lhe deixou de herança.


Mãos trêmulas tentando equilibrar o copo.

É difícil andar, falar e comer...

Viver é difícil quando se chega à velhice.

Na mente cansada, sinais de caduquice.

Permanecem intactas as boas memórias.


A vida se esgota!

Todos os sonhos estão esgotados,

encerrados nas conquistas e nas frustrações.

Exaurem-se os desejos e as ilusões.

O velho deseja apenas descansar.


Quando se chega à velhice

nada mais parece lhe pertencer.

É comum ouvir dizer: “no meu tempo...”

Como se o tempo da gente durasse apenas o instante

em que se é jovem.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Resenha feita pelo escritor João Bosco, sobre o livro de Paulo Freire, "PEDAGOGIA DA AUTONOMIA"

Paulo Freire, como todos sabemos, foi um dos maiores educadores brasileiros, conhecido e respeitado internacionalmnete, e sua obra é paradigma para a grande maioria dos professores deste país. Nada, pois, mais oportuno, neste início de ano escolar, que o professor faça uma releitura, através desta resenha, de uma das obras deste grande educador e pedagogo, intitulada PEDAGOGIA DA AUTONOMIA. Se algum deles não a conhece ainda, creio que não perde nada em ler minha resenha.

R E S E N H A

Por: João Bosco da Silva *

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 25ª ed. São Paulo: PAZ E TERRA, 2002.

Paulo Reglus Neves Freire nasceu no dia 19 de setembro de 1921, em Recife-PE., e faleceu no dia 2 de maio de 1997, em São Paulo, capital.

Como provocador cultural e pedagógico, tem uma postura crítico-libertadora do ensino, tendo como ponto de partida o Homem como sujeito da história. Defende que a construção de um mundo mais justo e melhor só se dá através de uma educação dialógica em que educador e educando se respeitem. É imbuído desse propósito que exercita toda sua ação pedagógica. É considerado um dos maiores educadores do século XX, não apenas no Brasil como no exterior.

Assume, desde cedo, atitudes filosóficas em moda como existencialismo e marxismo sem, no entanto, deixar-se enveredar pela exacerbação de seus pontos de vista, sempre buscando responder aos desafios da sociedade, principalmente na prática da alfabetização, numa postura ética coerente e de plena liberdade. Cassado pelo Regime Militar de 1964, amarga 16 anos de exílio, os quais aproveita em experiências educacionais pela América do Sul, América Central e América do Norte, Europa e África. Nessas perambulações, presta serviços no Chile; na Universidade de Harvard, EUA; em Genebra, na Suíça, dentre outros.

De sua profícua experiência, que se inicia na década de 1950, vão brotando livros e mais livros, quase que na produção de um por ano, todos voltados para a problemática da educação, dentre os quais podemos destacar: Alfabetização e conscientização; Educação e conscientização: extensionismo rural; Pedagogia da indignação; Professora sim, tia não; Pedagogia do oprimido etc.

Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa constitui-se de um prefácio de terceiro; de uma introdução do Autor – Primeiras palavras – em que anuncia a temática do livro; e de mais três capítulos, que são: Não há docência sem discência; Ensinar não é transferir conhecimentos; e Ensinar é uma especificidade humana. Cada capítulo é seqüenciado por nove subitens, que são os saberes que Freire julga necessários à boa prática educativa.

No primeiro capítulo – Não há docência sem discência – Paulo Freire anuncia que não pode haver professor sem aluno ou, por outra, que a existência de ambos é interdependente. Essa relação de interdependência não significa, entretanto, que este seja unicamente objeto enquanto aquele é apenas sujeito, uma vez que o ato de ensinar, segundo o Autor, contém, como resultante, a aquisição de novos conhecimentos por parte do aluno, pois que este, ao tempo em que aprende, também ensina o professor a aprender, numa espécie de troca recíproca. Dessa forma, percebe-se que o educando leva para a sala de aula valores culturais antes abeberados no ambiente familiar, na comunidade, na igreja etc. São valores que o educador não pode nem deve ignorar, uma vez que eles são importantes no processo de formação e construção que se inicia com a transferência de conteúdos novos que o aluno vai internalizando e processando até tornar-se um conhecimento novo das coisas recebidas e inteligidas nessa espécie de escambo entre os sujeitos do processo ensino/aprendizagem.

Afirma Paulo Freire que o ato de ensinar exige certos saberes, quais sejam: rigorosidade metódica; pesquisa; respeito aos saberes dos educandos; criticidade; estética e ética; corporeificação das palavras pelo exemplo; risco, aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação; reflexão crítica sobre a prática; e reconhecimento e assunção da identidade cultural.

Nessa seqüência lógica, Freire enfatiza o valor de cada um desses saberes como, por exemplo, ao discutir a rigorosidade metódica. “O educador democrático não pode negar-se o dever de, na prática docente, reforçar a capacidade crítica do educando, sua curiosidade, sua insubmissão. Uma de suas tarefas primordiais é trabalhar com os educandos a rigorosidade metódica com que devem se “aproximar” dos objetos cognoscíveis.” (p. 28) E assim prossegue o Autor, passo a passo, a discorrer sobre cada saber, até atingir o último – Ensinar exige o reconhecimento e a assunção da identidade cultural – em que ensina: “Uma das tarefas mais importantes da prática educativo-crítica é propiciar as condições em que os educandos em suas relações uns com os outros e todos com o professor ou professora ensaiam a experiência profunda de assumir-se. Assumir-se como ser social e histórico, como ser pensante, comunicante, transformador, criador, realizador de sonhos, capaz de ter raiva porque capaz de amar.” (p.46)

O segundo capítulo é: Ensinar não é transferir conhecimento. Aqui, Freire explica que o educador deve ter uma perspectiva progressista em sua formação e que dentro dessa perspectiva ele vai descobrir “...que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para sua própria produção ou a sua construção.” (p. 52) Segundo o Autor, a prática deve se sobrepor à teoria com uma atitude concreta centrada no exemplo, envolvendo-se nela para que, juntos, docente e discentes, elaborem métodos capazes de fazer a construção desse conhecimento – ou reconhecimento. “É preciso insistir: este saber necessário ao professor (...) não apenas precisa ser aprendido por ele e por seus educandos nas suas razões de ser – ontológica, política, ética, epistemológica, pedagógica – mas também precisa de ser constantemente testemunhado e vivido.” (p. 52) Infere-se disso que não apenas o educador como também o educando deve(m) ter essa consciência. Isso tem o sentido de que ele, o educando, também cumpra sua parte, aceitando ou rejeitando aquilo que lhe foi dado conhecer, fazendo assim sua crítica e assumindo seu posicionamento.

O Autor, ao fazer essas considerações, igualmente alinha nove saberes necessários ao educador para o alcance desta meta: a produção ou a construção do conhecimento por parte dos alunos, a partir dos conteúdos recebidos. Assim é que nos fala que ensinar exige do educador a consciência do inacabamento – do seu próprio, dos educandos e do próprio ser humano. “Na verdade, o inacabamento do ser ou sua inconclusão é próprio da experiência vital. Onde há vida, há inacabamento.” (p. 55) O passo seguinte é o que exige do professor o reconhecimento de ser condicionado, mas fazendo a observação de que existe uma enorme diferença entre o ser condicionado e o ser determinado, diferença que se pauta, segundo Freire, pura e simplesmente no problema da consciência que tem de si mesmo: se ele sabe que é inacabado, pode ir muito além e romper esse condicionamento. Se, entretanto, ele não tem essa consciência, fica feito peru, preso em seu círculo de giz. Respeitar a autonomia do educando é o terceiro saber que o Autor alinha. Um respeito que se faz necessário à criança, ao jovem e ao adulto. Pois agir de forma diferente é agredir a ética. “O professor que desrespeita a curiosidade do educando, o seu gosto estético, a sua inquietude, a sua linguagem (...) a sua sintaxe e a sua prosódia; (...) que ironiza o aluno, que o minimiza, que manda que “ele se ponha no seu lugar”, (...) transgride os princípios fundamentalmente éticos de nossa existência.” (p. 66) Ainda na seqüência dos saberes, ordenam-se como necessários: humildade; tolerância e luta em defesa dos direitos dos educadores; a apreensão da realidade; alegria e esperança; convicção de que a mudança é possível e, por fim, a curiosidade. São todos saberes que o educador deve perseguir na sua experiência formadora. Vejamos como se posiciona o Autor sobre a curiosidade, o último saber elencado: “Como professor devo saber que sem a curiosidade que me move, que me inquieta, que me insere na busca, nãoaprendo nem ensino.” (p. 95)

O terceiro capítulo atesta: Ensinar é uma especificidade humana. Se ensinar, conforme declara Freire, é uma propriedade do ser humano, este, ao exercitá-la, deve estar suficientemente imbuído dos saberes essenciais para o exercício de tão difícil e nobilitante tarefa, quais sejam: autoridade, confiança em si mesmo, segurança e certeza de sua legitimidade. Isso evita, segundo o douto escriba, que o educador autoritário, incompetente ou auto-suficiente fique a clamar, a toda hora, o velho bordão: “Sabe com quem está falando?” (p. 102)

Nove saberes também são exigidos aqui, sendo o primeiro: segurança, competência profissional e generosidade. Conforme explicita o Autor, o aluno não pensaria bem de um professor que não tem segurança quanto aos conteúdos que transmite, ou que revela incapacidade profissional. Ou daquele que, arrogante, nega-se à concessão de qualquer atitude generosa, julgando o discente com exagerada severidade. Neste capítulo, Paulo Freire também adverte sobre os riscos a que estão sujeitos os educadores que, por exemplo, demitindo-se do exercício de sua autoridade, ou exacerbando-se no uso dela, deixam-se cair na tibieza da licenciosidade ou no deplorável autoritarismo, extremos que devem ser evitados a qualquer custo. Chama ainda a atenção do educador para a consciência que deve ter do seu comprometimento. Ele não pode, simplesmente, ficar neutro, não se envolver, não se expor, tampouco deixar de se colocar à avaliação de seus alunos. Esse comprometimento, por sua vez, exige atitudes coerentes entre aquilo que diz e o que faz, o que teoriza e o que realmente pratica. Essa forma de saber leva-o diretamente a outro, que é o compreender a educação como uma intervenção no mundo. Essa forma de intervenção “... implica tanto o esforço de reprodução da ideologia dominante quanto o seu desmascaramento.” (p. 110) Negando à educação e, consequentemente, ao educador a posição de neutralidade, Freire advoga uma educação dialética que não seja “Nem apenas reprodutora nem apenas desmascaradora da ideologia dominante.” (p. 112) Segundo ele, deve ser a educação uma intervenção no mundo, para, de um lado, tentar modificar a ideologia dominante e, por isso mesmo, imobilizante, e, de outro, não ignorar a realidade dentro de uma visão dialética concretizadora, não obstante os inúmeros obstáculos e as duras lutas para superá-los. Não pode a educação ficar refém de interesses dominantes, a valores de mercado, esquecendo-se dos superiores interesses humanos. “(...) é uma imoralidade, para mim, que se sobreponha, como se vem fazendo, aos interesses radicalmente humanos, os do mercado.” (p. 112) Freire também repudia com veemência o fatalismo dos que apregoam que nada se pode fazer porque isto é assim mesmo, que já está determinado. Essa, testifica ele, é a ideologia neo-liberal, que declara, com todas as letras: “O desemprego do mundo é uma fatalidade do fim deste século.” (p. 114)

Outro saber que Paulo Freire expressa como necessário à boa prática educativa é que o ato de ensinar exige que o educador tenha liberdade e autoridade. “Quanto mais criticamente a liberdade assuma o limite necessário, tanto mais autoridade ela tem, eticamente falando, para continuar lutando em seu nome. (...) A liberdade amadurece no confronto com outras liberdades, na defesa de seus direitos em face a autoridade dos pais, do professor, do Estado.” (ps. 118/9) Ensinar também exige tomada consciente de decisões. Nesse aspecto, Freire volta a bater nas teclas da especificidade humana, da intervenção no mundo, da neutralidade, da politicidade, do inacabamento humano, tudo para, no final, afirmar que o educando jamais será autônomo, mas objeto apassivado ante a escolha vertical dos conteúdos sobre os quais ele não tem vez nem voz para se pronunciar. Saber escutar é outra prática muito salutar, da qual não deve o educador se distanciar. “Somente quem escuta paciente e criticamente o outro, fala com ele.” (p. 127) O oitavo saber vai na mesma direção que o anterior: ensinar exige disponibilidade para o diálogo. “Testemunhar a abertura aos outros, e disponibilidade curiosa à vida, a seus desafios, são saberes necessários à prática educativa.” (p. 153) E, finalmente, vem o saber maior, auto-explicativo, que reza que ensinar exige querer bem aos educandos.

Pedagogia da autonomia é um livro que se pode definir como um método, ou mais do que isso, toda uma epistemologia do conhecimento. Nesta carta epistemológica do saber, Paulo Freire propõe a transformação de todo o panorama da educação brasileira. Nela, apontam-se saberes, caminhos às vezes difíceis de trilhar, que levariam não apenas o educando, não somente o educador, mas, de juntada, toda a sociedade brasileira às transformações estruturais tão necessárias ao estamento do sistema educacional brasileiro. Educação aqui entendida como um processo integral em que todos os segmentos da sociedade estivessem envolvidos porque, como defende o próprio Autor, ela mediatizaria a produção e a construção do conhecimento humano de forma coletiva e solidária.

Neste livro, pequeno em volume mas enorme naquilo que propõe, Paulo Freire não apenas aponta caminhos para uma educação de qualidade em termos de conteúdo e aprendizagem. Ele, também, protesta veementemente contra as peias da ideologia dominante, que imobiliza e exclui milhões de seres humanos, nos campos e nas periferias das pequenas, médias e grandes cidades, dos bens que a sociedade produz - educação, moradia, bem-estar social, saúde, segurança etc – reduzindo-os a simples números estatísticos. Grita essa advertência aos educadores, para que não se deixem amordaçar, tampouco assumam a posição de neutralidade, de indiferença e de fatalismo. Pois é isso que os espoliadores desejam: calar a boca da classe pensante para que eles, assim, possam, de um lado, melhor contabilizar os lucros em favor de uma elite sanguessuga e, de outro, socializar os prejuízos de sua política neo-liberal, em detrimento dos menos favorecidos.

Este foi o nosso primeiro diálogo com Paulo Freire. Antes, nós tínhamos apenas referências de segunda-mão que o davam como grande pedagogo, genial, inovador, ativista social, comunista e outros qualificativos. Essa adjetivação agora, perde, para nós, todo o sentido ou, melhor dizendo, ganha novo sentido porque passamos a vê-lo substantivado em sua verdadeira dimensão. Em vez de adjetivos grandiloqüentes com que se procura avultá-lo, melhor seria desvesti-lo dessa roupagem encomiária e tentar, cada um de nós e a sociedade no seu todo, pôr em prática os ensinamentos que tão bem teoriza e que, infelizmente, por razões políticas, ideológicas ou outras, não são postos em prática, salvo as tentativas dele próprio e de outros poucos idealistas seus iguais, insuficientes para mudar o status quo da educação e, numa visão macro, a própria sociedade brasileira. A premissa de que a educação é a chave para o desenvolvimento tem servido muito bem, quando aplicada por governos sérios de outros países em seu sistema educacional. Por que será que essa chave não se conforma à nossa fechadura? Talvez em razão da inércia ou má vontade dos nossos dirigentes em tentar abrir essa porta.

De Paulo Freire só conhecemos até agora esta obra. Não obstante, apesar do universo de tantas, esta, talvez, seja o suficiente para formarmos uma opinião valorativa do autor. Ressalvamos que o destaque à sua figura é feito tendo em vista que ele se entranha tanto em sua obra, que ambos acabam por se confundir.

O livro deve ser objeto de séria reflexão por parte daqueles que, de uma maneira ou de outra, se liguem à problemática da educação no Brasil ou que por ela se interessem.

Teresina-PI, out/ 2007

(Publicada na revista Cadernos de Teresina, Ano XXIV, nº. 41 – fevereiro 2010)

* Conselheiro Editorial da Fundação

Cultural Monsenhor Chaves – FCMC,

De maio de 1996 a out/2000 e novamente a partir de jan/2009.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Casa tem curto circuito e pega fogo em Francisco Santos.

No bairro Portelinha uma casa pega fogo após um curto circuito na rede elétrica, que dizem os moradores do bairro era precário, e dizem que era feitos só de gambiarras. Os moradores viram a tempo e por sorte ninguém ficou ferido.






quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Fotos do Projeto RONDON aqui em Francisco Santos.

Foram dias inesquecíveis aqui em Francisco Santos, nossa cidade nunca será mais a mesma após o projeto RONDON passar por aqui. Foram várias palestras, minicursos, cinema, conversas, debates, visitas, tudo no intuito de integrar as pessoas a sociedade. Como os rondonistas diziam "Integrar Para Não Entregar". Todos nós agradecemos a visita e a disponibilidade deste pessoal que vem de tão longe para ajudar pessoas desconhecidas, como voluntários, sem remuneração. Esperamos que essas atividades produzam muitos frutos e que a nossa cidade possa por em prática tudo aquilo que foi passado pelos rondonistas.









quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Seleções classificadas para a terceira fase da VI copa Piauiense de futebol amador.



CLASSIFICADOS PARA TERCEIRA FASE DA VI COPA DEFINIDOS


Das 32 vagas para a terceira fase da copa piauiense, vinte e seis já estão definidas, agora 12 seleções brigam pelas 6 restantes. Os confrontos da terceira fase serão marcados por grandes clássicos regionais.
Confira abaixo as seleções classificadas e ordem dos confrontos que já estão definidos para a próxima etapa da competição:

SELEÇÕES CLASSIFICADAS
01 - AGUA BRANCA
02 - ALAGOINHA DO PIAUI
03 - ALTOS
04 - ANISIO DE ABREU
05 - CAMPO MAIOR
06 - COCAL DE TELHA
07 - COLONIA DO GURGUEIA
08 - CORRENTE
09 - CURIMATA
10 - FLORES
11 - FRANCISCO SANTOS
12 - JOAQUIM PIRES
13 - JOCA MARQUES
14 - JOSE FREITAS
15 - MIGUEL ALVES
16 - NAZARIA
17 - OLHO DAGUA
18 - PICOS
19 - PIRACURUCA
20 - SÃO FRANCISCO DO PIAUÍ
21 - SÃO GONÇALO DO PIAUÍ
22 - SÃO RAIMUNDO NONATO
23 - SIMÕES
24 - URUÇUI
25 - VALENÇA
26 - VARZEA GRANDE

CONFRONTOS JÁ DEFINIDOS
COCAL DE TELHA X CAMPO MAIOR
CAMPO MAIOR X COCAL DE TELHA

JOCA MARQUES X JOSE DE FREITAS
JOSE DE FREITAS X JOCA MARQUES

JOAQUIM PIRES X MIGUEL ALVES
MIGUEL ALVES X JOAQUIM PIRES

NAZARIA X AGUA BRANCA
AGUA BRANCA X NAZÁRIA

VALENÇA X SÃO GONÇALO DO PIAUI
SÃO GONÇALO DO PIAUI X VALENCA

VARZEA GRANDE X OLHO DÁGUA
OLHO DÁGUA X VARZEA GRANDE

FRANCISCO SANTOS X PICOS
PICOS X FRANCISCO SANTOS

FLORES X SÃO FRANCISCO DO PIAUI
SÃO FRANCISCO DO PIAUI X FLORES

ALAGOINHA X SÃO RAIMUNDO NONATO
SÃO RAIMUNDO NONATO X ALAGOINHA

COLONIA DO GURGUEIA X URUCUI
URUCUI X COLONIA DO GURGUEIA

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Guaribas Restaurante, recebe a visita ilustre do jogador picoense Rômulo que joga no time do Vasco da Gama

O jogador vascaíno Rômulo, natural de Picos-PI, esteve no Guaribas Restaurante em Francisco Santos - PI, onde ouve uma grande concetração de torcedores do Vasco da Gama e de curiosos que queriam presenciar a presença ilustre do jogador.


Picoense Rômulo é jogador titular no Vasco da Gama

Seguindo os passos do atacante Leonardo Pereira da Silva, que na década de 90 se projetou no futebol nacional, o volante picoense Rômulo Borges Monteiro, de apenas 19 anos de idade, conquistou a vaga de titular no Vasco da Gama do Rio de Janeiro e é um dos destaques da equipe no Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão.
Rômulo chegou ao São Januário ano passado e passou a fazer parte da equipe de juniores, conquistando o Campeonato Carioca deste ano. Logo depois subiu para o profissional e no dia 30 de junho ganhou sua chance na vitória vascaína sobre o Avaí, em jogo válido pelo torneio amistoso Copa da Hora, conquistado pelo escrete carioca. Ele não desperdiçou a chance e desde a sua estréia não saiu mais do time, tendo se destacado em todas as partidas que disputou de lá até hoje.
Devido suas boas atuações, mesmo com a chegada de vários reforços Rômulo foi mantido na equipe titular pelo treinador PC Gusmão, para quem o atleta tem mantido um equilíbrio muito grande, se dedicado aos treinos e dado uma resposta positiva dentro de campo.
Perfil
Filho de José Willami Carlos Monteiro e Luciana Maria Borges, Rômulo Borges Monteiro nasceu em Picos no dia 9 de setembro de 1990 e desde criança sonhava em ser jogador de futebol profissional. Em 2005, com apenas 15 anos de idade foi atuar no juvenil do Porto de Caruaru, subindo depois para os juniores e chegando até a equipe principal, onde se destacou devido sua forte marcação e chute forte.

Antes de chegar ao Rio de Janeiro, Rômulo treinou no Benfica de Portugal, de onde teve que retornar devido ao excesso de burocracia; no Atlético Paranaense e em 2009 foi para o Vasco da Gama, onde ganhou mais destaque e atualmente é titular da equipe principal, tendo conquistado a confiança do treinador PC Gusmão, o respeito dos companheiros e admiração da torcida

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Discurso do escritor e poeta João Bosco no lançamento de seu livro "Jenipapeiro: A Terra do Espritados"


DISCURSO DE LANÇAMENTO


Saudação à mesa de honra e preliminares


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Teorizemos um pouco sobre a arte de fazer História.


Atualmente os métodos de pesquisa histórica são bastante variados. Para escrever um pouco da história de nossa cidade, talvez eu não tenha seguido nenhum método específico, embora o Sr. José Carmo Filho, em sua preliminar apreciação da obra, tenha referido haver sido “escrita com metodologia adequada”.


O registro histórico, segundo Hélio Jaguaribe, tem origens nas cronologias do Egito Antigo e mesmo em culturas mais recuadas, como, por exemplo, os povos sumérios. Mas as narrativas históricas, com organização e certo método de exposição e análise, somente apareceram com Heródoto e Tucídides, historiadores gregos que viveram no IV século a.C.


Paul Cartledge, no primeiro volume GRÉCIA ANTIGA, da coleção HISTÓRIA ILUSTRADA, pontifica que: “A cultura grega era fundamentalmente oral; a palavra usada pelos gregos para “LER”, correspondia a reconhecer, ou seja, reconhecer em palavras escritas aquilo que já se ouvira dizer. Uma das palavras gregas para “LEITOR” era, literalmente, “OUVIDOR”. A maioria dos gregos ouvia mais do que lia”.


Assim, inconscientemente e de forma quase empírica, foi construída a minha narrativa sobre a história de nossa cidade. Ouso dizer que ela guarda alguma semelhança com o autor acima citado, visto que sou um “ouvidor” que tentou transmitir em palavras, de forma organizada e sistemática, aquilo que escutou dos mais antigos, ouviu referências, ou colheu em entrevistas e depoimentos, bem como testemunhou ou mesmo fez a narração de acontecimentos e fatos de que foi protagonista.


A história ou, mais precisamente, o registro escrito, segundo prescreve Freud, poderá esconder interesses escusos ou intuitos deformadores. Isso encontra explicação na ideologia dominante que, geralmente, ao longo dos séculos, tem sido encarnada pela figura do mandatário, seja ele rei, imperador, presidente, ditador, governador e até prefeito. Essas figuras poderosas vão fazendo inscrever na história apenas os fatos que lhes enaltecem a imagem, de forma a enriquecer sua biografia com feitos políticos e/ou guerreiros, muitas vezes diferentes daquilo que realmente ocorreu. Quanto a isso, sempre ouvi dizer que a história escrita por nós, brasileiros, sobre a guerra Brasil/Paraguai, travada no século retrasado, é muito diferente daquilo que se registrou do lado paraguaio. Ainda ilustrando esse fato de esconder as coisas ruins, o ministro Ricúpero, do governo Fernando Henrique, foi flagrado pelos microfones da TV Globo, em conversa com um repórter, proclamando mais ou menos o que segue: “Na economia, as coisas boas a gente publica; os fatos ruins, a gente esconde”.


Volto a reafirmar aqui e agora o mesmo que declaro na parte introdutória do livro: tenho escrúpulo de fazer falsificação, e passa longe de mim propósito deformante, pois não tenho necessidade de modelar narrativas com intuitos escusos. Enganos ou omissões, se houver no que relato e informo, dever-se-ão a erros de entendimento, de interpretação ou de informação. Neste último caso, sim, poderia haver remota possibilidade de propósitos escusos por parte de quem me municiou de informações. Mesmo se tal deformação tivesse ocorrido, mais certo seria creditar isso na conta da natural deturpação, dentro daquilo que reza a sabedoria popular: “Quem conta um conto, aumenta um ponto”.


E a propósito de deformação, aqui, novamente, me socorro do Sr. Cartledge, para quem: “Escrever sobre história não é tão simples como se pensa. A História - escrita em oposição ao que de fato ocorreu no passado – é sempre uma narrativa, e dois narradores jamais contarão a mesma história ou, pelo menos, do mesmo modo”. Isso vem justificar o que aventei como possibilidade de erros de interpretação ou de entendimento. Ademais, a História jamais poderá abranger todos os fatos e acontecimentos ocorridos no bojo de uma sociedade, ou mesmo de pequena comunidade como a nossa, de menos de nove mil habitantes. Daí a razão de alguns fatos, julgados importantes por alguns, poderem não ter sido tão impactantes para mim ou, ainda, me parecerem inadequados para relatar.


Toda essa retórica pretensamente acadêmica, tem por finalidade reconhecer que jamais poderia satisfazer a todos: se agrado a uns aqui; ali a outros deixo insatisfeitos, visto que “a minha” não é a “verdade” deles. Não busco, portanto, a unanimidade. Nem ousaria almejar tanto. Aliás, o grande Nelson Rodrigues já proclamou que toda unanimidade é burra.


Agora falemos do livro. Ei-lo. (mostrar)


Um livro, segundo definição da Wikipédia, “é um volume transportável, composto por páginas encadernadas, contendo texto manuscrito ou impresso e/ou imagens, e que forma uma publicação unitária”. A ONU, que se pronuncia sobre quase tudo, ainda acrescenta que ele deve ter, no mínimo, 49 paginas. O conteúdo pode ser o mais variado possível: literatura, teatro, temas acadêmicos, textos científicos, filosóficos, históricos etc.


O conteúdo do meu trabalho enquadra-se na categoria de história. Não obstante a inserção de crônicas e contos pessoais, o aspecto histórico não desaparece, tendo em vista que essa feição literária tem por fim relatoriar ou subsidiar, com o meu testemunho, episódios nos quais fui protagonista ou deles ouvi referências.


Na parte essencialmente histórica, procurei fazer a averbação de certos usos e costumes, do trabalho, da religião, da economia, da política e de outros temas ligados a nossa Terra e a nossa gente. Dessa forma, na primeira parte – NO ARRAIAL ANTONINO-POLICARPEANO - me ocupo da vida de nossa gente, ainda ao tempo em que éramos apenas Jenipapeiro. Daí destacar, dentre outros, tópicos como: DA TERRA E Suas Romântica Origens; as SAFRAS DO FEIJÃO, DO ALHO e DA MANDIOCA; a PECUÁRIA, o COMÉRCIO, HÁBITOS ALIMENTARES E Higiênicos, a SAÚDE, a EDUCAÇÃO, a RELIGIÃO.


A segunda parte, denominada NO FEUDO SANCTORUM, desdobra-se nos capítulos: FRANCISCO SANTOS – A Emancipação Política; A EMIGRAÇÃO: Desafio da Sobrevivência e Espírito de Aventura; O FEUDO OLIGÁRQUICO: Construção e Estabelecimento; CONSOLIDAÇÃO DO MANDO POLÍTICO Da Família SANTOS Em Francisco Santos; O VISGO DA POLÍTICA Ou a Magia do Poder e SEU LOURA, Eleitor de Cabresto.


Em seguida, vêm ENTREVISTAS, com os senhores prefeitos: SIMPLÍCIO Morais Santos; Maria CARLEUSA dos Santos Batista de Carvalho; ELPÍDIO Arlindo Lima e José EDSON de Carvalho. Através dessas entrevistas, pode o nosso conterrâneo formar juízo sobre as práticas políticas do lugar, práticas essas que não diferem muito daquilo que ocorre em outras comunidades e, de resto, neste imenso território de Brasis.


Abrem-se depois HOMENAGENS, constituídas de artigos escritos por pessoas convidadas a traçar a biografia dos homenageados, senhores LICÍNIO Pereira dos Santos; ELIZEU Pereira dos Santos; Francisco Rodrigues de Sales, o popular CHODÓ; Francisca dos Santos Rodrigues, a famosa Francisquinha, e MARIANO da Silva Neto. Para mim, e penso que para o conterrâneo de modo geral, essas pessoas merecem figurar no panteão dos heróis da Terra!


A última parte é auto-explicável: FRANCISCO SANTOS Em Números e Fotos.


Na parte política, ganham vulto poucas famílias, sendo a principal delas a família SANTOS, pelo simples fato de ela vir dominando a vida de nossa comunidade há quase um século, nos aspectos religioso, econômico e político.


É sabido que no Brasil as povoações começavam pela capela. A nossa primeira capela foi instalada em 1918. A partir dessa data, o senhor Licínio Pereira ficou encarregado das chaves da igreja, recebendo padres e outros religiosos que por cá chegavam, por ocasião das desobrigas, geralmente duas por ano. Coincidentemente, nesse mesmo ano o senhor Francisco de Sousa Santos assumia a Intendência, em Picos, por morte do titular, também jenipapeirense, o Sr. Antônio Rodrigues da Silva. A partir daí, por delegação do novo intendente, seu irmão Licínio Pereira passaria também a resolver certos assuntos da vida civil do nosso ainda pequeno arraial, sempre agindo em nome e de acordo com as suas orientações.


Famílias como as de Arlindo Lima e Francisco Rodrigues de Sales, o popular Chodó, também são destaques em vista de haverem feito, durante certo tempo, oposição ao grupo majoritário dos Santos. A particularização dessas poucas famílias fica na conta do aspecto político que elas representaram e ainda representam, razão pela qual não tive como deixar de nomeá-las. As demais famílias não foram contempladas em vista de o meu trabalho, à parte o aspecto político, assumir feição de cunho econômico-sociológico. Esses fenômenos, enquanto teoria, são estudados como um todo, sem a possibilidade de individualizações.


A figura de meu pai, que também consta do livro, não tem sentido de homenagem, e entra apenas como exemplo do eleitor de cabresto. Assim o chamo sem vezo de deboche ou críticas às antigas práticas políticas, inclusive porque não iria debochar de meu pai, a quem tanto amei e do qual guardo indelével lembrança. No corpo do trabalho, tento explicitar o quê e o por quê da existência dessa figura.


Nessa obra, abordo ainda temas como a desertificação de nossas terras; o assoreamento e “morte” do rio; o empobrecimento de algumas famílias tradicionais e o surgimento de novos-ricos; a lenta substituição das atividades agrícolas pelas do comércio, nas quais demonstraria o nosso conterrâneo invejável capacidade de adaptação. E, finalmente, falo das ondas migratórias que ocorreram em meados das décadas de 1960 e 1970. O fenômeno dessas migrações, principalmente de populações do Nordeste, se deve ao eterno problema da seca, com as suas trágicas consequências, coadjuvado por fatores outros que tento esclarecer no livro.


No caso de nossos concidadãos, a retirada aconteceu visando à busca de melhores meios de sobrevivência em outras paragens. Portanto tem fundamento econômico. Além dessa motivação, não podemos ignorar o “espírito de aventura” que sempre animou a nossa gente. Lá fora, viraram mestres na arte do escambo, quer na venda do alho, quer no comércio de produtos adquiridos na Zona Franca de Manaus, quinquilharias compradas no Crato e no Juazeiro, e depois na Ciudad Del Leste, no Paraguai. Muitos, entretanto, especializaram-se em técnicas de vidraçaria e outras artes manuais, além de bares, restaurantes e mercearias.


Faço questão de ilustrar a diversidade de mercadorias citando versos que compus, valendo-me do que Mané Loura me disse vender em sua banca, no mercado de Araguaina, cidade em que faleceu em 1994.


Dou mostra dessa mistura


em bazar de Araguaína:


pimenta, cominho e cravo,


vela branca e parafina;


sutiã, calcinha, renda,


vestido de seda fina,


facão e faca de ponta


e mais produtos sem conta.


Ensina-nos a psicologia, que a pessoa humana é dotada de quatro desejos básicos na vida, sendo um deles a busca de novos conhecimentos. Pois alguns dos nossos jovens, integrantes daquela primeira onda migratória, não se acomodaram no mesquinho horizonte de um sub-emprego ou de uma reles colocação. Não! Alguns desses jovens buscaram no estudo a realização pessoal de um sonho de vida melhor, alcançando invejáveis posições, principalmente em Brasília, desaguadouro de muitos de nossos aventureiros. Dentre esses podemos citar, sem prejuízo de outros, José Carmo Filho, João Erismá de Moura, Amadeu dos Santos Rodrigues e Valmir, este gabaritado técnico em laboratório.


Mas não foram apenas os de Brasília a vencerem na vida. Quase todos os que se mudaram – pra Picos, Teresina, São Paulo, e outras tantas cidades e capitais – se deram bem na nova empreitada, e conseguiram formar alguns dos filhos. Isso é descontino, perspicácia, nova visão de mundo. Aqui, diante de nós, está um desses emigrados, herói anônimo, guerreiro, destemido. Prole de 15 filhos, conseguiu formá-los todos em nível superior. Falo de Simplício Morais Santos, que apenas com a força do seu trabalho árduo conseguiu tal façanha. Na família de meu pai, cujos filhos quase todos arribaram “trouxa”, existem alguns formados. Desculpem, senhoras e senhores, a referência pessoal, pois não me contive em deixar de fazê-lo.


Convém observar que os que aqui ficaram, ou mudaram-se bem aí pra Picos, também marcaram invejáveis conquistas. Quantos são hoje os médicos aqui nascidos ou nascidos em outros lugares, mas descendentes de expatriados conterrâneos? São dezenas? Quantos são? O conhecido Evangelista, igualmente presente nesta solenidade, já tem um filho formado em medicina e outro em vias de se formar, e uma filha doutora em Educação. E em outras profissões? Quantos são os advogados, os professores, os engenheiros, os fisioterapeutas, os bancários? São dezenas, centenas, talvez milhares.


Diante desse arrazoado, pergunto, não aos jovens de hoje, mas às pessoas mais à antiga: é ou não é o nosso conterrâneo um guerreiro, um espritado?


Eis, portanto, o que registro no livro ora lançado.


Por falar nisso, muito hesitei em falar do título da obra, criticado por alguns, por uns poucos visto com reserva, mas aplaudido por muitos.


Um livro é um produto. Um produto sempre leva um rótulo. Pelo rótulo, muitos compram. Uns tantos se decepcionam com o seu conteúdo, pois o que encontram não expressa o que o rótulo anuncia ou a propaganda apregoa. Um título busca, em última instância, resumir aquilo que se quer oferecer ou vender. Eu ofereço história e estórias. O aspecto mais peculiar e definidor do modo de ser de nossa gente é o seu caráter aguerrido, corajoso, valente, que não se curva diante das dificuldades. Dizem que se a montanha é um obstáculo intransponível, que se a contorne. Tenho a impressão de que o nosso conterrâneo não contorna montanha; ele a remove, a exemplo do que nos ensina a fé quanto a isso.


Mas a linguagem humana é feita de símbolos, signos, gestos etc. A nossa língua, portanto, é rica de significados e conteúdos simbólicos e psicológicos aos quais cada um dá a sua interpretação. Quando alguém grita: ESPRITADO DO INFERNO! Isso, creio eu, é um xingamento. Mas se alguém exclama: Aquilo é o cão, é da terra dos espritados! Para mim, o significado é altamente positivo. É isso o que procuro explicar sobre o uso do termo. Ilustro a explicação com um caso real.


- "Mais isto é o diabo, Mané Loura! Inté aqui encronto este mangaiêro dos inferno pra me pressiguir... ô c'os diabo".


- "Mais é tu, Zé Nicó das profunda! Que que tu tá fazeno aqui neste lugar que o cão perdeu as espora? Ô espritado dos inferno!"


Esse diálogo, fielmente reproduzido, de fato aconteceu entre os dois alheiros em Araguaína, quando aquela cidade era apenas um amontoado de casebres e ruas poeirentas. Ali estavam eles procurando descobrir mercados novos para colocação de seus produtos: o alho!


Aurélio, famoso dicionarista, aponta “espritado” como um brasileirismo do Nordeste, significando: “digno de admiração; de extraordinária valentia”. Embora também consigne: “pessoa possuída pelo espírito do mal”. Posso garantir que não é o caso de nosso conterrâneo.


Quero crer que o significado conotativo da corruptela tem derivação bíblica. Religioso como é o nosso povo, está arraigada em sua memória coletiva a história do Gênesis, que informa sobre como Deus, soprando nas narinas do seu Homem de Barro, fez insuflar-lhe vida, alma, ânimo – espírito, enfim. O espírito é, portanto, o sopro de Deus, o que faz a pessoa mover-se. Por extensão, o nosso espritado seria aquele que se movimenta com desenvoltura, que não desiste, que enfrenta com coragem os obstáculos, as dificuldades. Espritado é quem tem espírito de luta, como o nosso caboclo. É Fé e Esperança. É, pois, substância e qualidade.


Existem o mangalheiro, o muambeiro ou o sacoleiro de Picos, de Bocaina, de Santo Antônio de Lisboa e de outras cidades ou povoados dos vales do Riachão e do Guaribas, onde, até em passado recente, desenvolveu-se fortemente a cultura do alho. Mas nenhum deles é chamado assim. Só nós, de Francisco Santos.


Assim, vivamos nós, os ESPRITADOS!


Quero mais uma vez enfatizar que o registro histórico deve ser o mais fidedigno possível. Afastar-me disso é, no mínimo, falsear a verdade dos fatos. Eu constatei que se mudaram alguns costumes; inclusive a EDUCAÇÃO deu um enorme salto de qualidade, o que só vem confirmar a obstinação, o espírito de luta e a versatilidade de nossa gente. Não obstante esse avanço positivo, não se mudam hábitos arraigados de uma hora para outra; nem mesmo em uma geração. A maneira de falar, a mania de falar alto, o hábito de tratar pessoas por apelido – são características nossas. O alunado, escolado em outros ambientes, daqui a algum tempo, quem sabe, estará ensejando essas mudanças. Mas, por ora, nós ainda continuamos com aquele aspecto brejeiro, embora desenvoltos e capazes de nos desembaraçarmos de quaisquer dificuldades.


Por enquanto, esse aspecto do caráter de nosso povo continua o mesmo, e foi essa concepção que me fez atribuir o título original, até como forma de homenagear nossa gente. A palavra espritado era amplamente usada, ainda o sendo atualmente pelas pessoas de mais idade. E nela, conforme se verifica na tentativa de explicação acima, não existe deboche, gozação, desdém. Muito pelo contrário: nela se expressa toda a extensão “biográfica” de nossa Terra e da teimosia de sua aguerrida gente.


Meus caros conterrâneos!


Se a alguns repugna comprar ou ler o livro em razão do título – sinceramente – só tenho a lamentar. Se, entretanto, por curiosidade, alguém o comprar, ou ler, mesmo que por empréstimo, e se nele vislumbrar a existência da mais leve sugestão de que o nosso conterrâneo é endemoniado ou possuído do espírito do mal, haverei de me penitenciar, queimando o resto do estoque em praça pública. Têm todos, porém, o sagrado direito de divergir, discordar e refutar teses e teorias. Isso é democrático. E não poderia ser de outra forma. Está ali na mesa o produto que ofereço por ocasião do cinquentenário de nossa querida Terra. Espero que não seja por causa de um adjetivo que o livro deixe de ser comprado – e lido!


Para finalizar, desejo evocar os nomes de Roldão, Nobre, Simplício, José Hosternes, Carleusa, Elpídio, Zé de Quinco e Edson, o atual prefeito. Enquanto prefeitos, todos tiveram participação efetiva como agentes do progresso e desenvolvimento de nossa Terra, nestes CINQUENTA ANOS de autonomia políitico-adminsitrativa. Uns mais; outros, menos. Não posso deixar de citar também os vice-prefeitos Osvaldo, Pimentel, Manoel Raimundo, Antônio Benjamim, Amadeu, Pascoal, René, Deuseni, Tatá e Luis José. Alguns desses vices chegaram a assumir a chefia do Executivo, dando continuidade às obras e planos de governo de seus titulares, prestando, assim, sua valiosa colaboração. Faço menção também aos presidentes da Câmara e aos vereadores atuais e aos que passaram, os quais, no cumprimento do dever, colaboraram com o prefeito na aprovação de seus projetos, ou fiscalizando a aplicação dos recursos públicos, aprovando ou desaprovando suas contas, funções que lhes são atribuídas em lei.


Refiro-me igualmente ao pessoal da oposição, particularmente a Francisco Rodrigues de Sales (Chodó), Arlindo Lima e seus liderados. A oposição desses senhores, diminuta em número, porém enfática no período pré-cidade e até ali por volta do início dos anos 1970, conseguiria virar o jogo, tornando-se vitoriosa mais tarde, no limpo e bonito jogo democrático. Sem oposição a democracia sucumbe.


Minhas homenagens, portanto, aos homens e mulheres que tão diligentemente foram situação e oposição, pressupostos essenciais de uma democracia, nessa gangorra que possibilita a alternância do poder, coisa tão salutar na vida administrativa de uma comunidade. Sem prejuízo de outros que possa ter esquecido, invoco, em memória, os nomes de Roldão, Osvaldo, José Hosternes, Pimentel, Manoel Raimundo, Licínio Pereira, Elizeu, Chodó e Arlindo. Homenagens que estendo agora aos seus familiares.


No capítulo O VISGO DA POLÍTICA Ou A Magia Do Poder, expresso, em generalizações, o meu pensamento sobre a política e, principalmente, sobre as práticas nocivas de alguns de seus agentes, sem, contudo, particularizar nenhuma pessoa desta terra. Dizem que a política é uma arte. A arte do possível, a arte da conversa, ou que complemento se lhe dê. Que seja! Pois é através dessa engenhosa arte que se organizam a vida e o controle da sociedade. Sem a Lei, seria o caos, a anarquia.


Portanto, caríssimos conterrâneos, conclamo a todos que não malbaratemos a política; mas combatamos o cancro da corrupção, alijando, através do voto, aqueles que aplicam o “nariz de cera” em arte tão nobilitante para formação de cartórios e cartéis de espúrios interesses.


Mas a homenagem principal e maior é a você – povo de Francisco Santos – Terra de Espritados ! ! !


Muito obrigado a todos.


quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Comprem o Livro, Jenipapeiro - A terra dos Espritádos do Escritor João Bosco da Silva


Caros amigos visitantes,
Bom dia!

No dia 23.12.10 foi lançado o livro JENIPAPEIRO: A Terra dos Espritados, de autoria de João Bosco da Silva por ocasião do Jublieu de Ouro da cidade de Francisco Santos, situada na microrregião de Picos-Pi. O livro trata um pouco da história do município, suas características, seu povo aguerrido, sua gente hospitaleira, seu comércio pujante, sua agricultura, sua política; enfim, problemas de ordem econômico-sociológicos, religiosos, políticos etc.
Solicita-nos João Bosco, que se alguém se interessar em adquiri-lo, basta acessar o e-mail: jobossil@hotmail.com, através deste blog ou ainda pelos telefones (086) 3232.2769 ou cel: (086) 8861.5335. O valor do livro, de 360 p., custa apenas R$20,00 acrescido de mais 5,00 para as despesas postais. O pagamento pode ser feito antecipadamente, ou posteriormente ao recebimento, através de crédito na conta: Banco do Brasil - Ag. 3507-6, conta poupança 7068-8
Ele pede desculpas pela forma de oferecer seu produto. E só o oferece por venda em razão de não ter sido agraciado com nenhum incentivo do poder público, correndo tudo às suas expensas - um custo que atingiu cerca de R$12.000, afora despesas de viagens de pesquisa, divulgação, diagramação, revisão, coquetel de lançamento etc. Não fora isso - afirma o autor - seria distribuído gratuitamente.
Em Francisco Santos a aquisição poderá ser feita com o vereador Agnaldo, Isaura ou qualquer um de seus filhos, ao preço de R$20,00.

Antecipadamente, ele agradece a todos pela atenção, adquiram ou não a obra em oferta.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Projeto RONDON estará em Francisco Santos a partir do dia 16 de Janeiro de 2011.


Veja o vídeo de apresentação do projeto RONDON em Francisco Santos







O que é o Projeto RONDON

Apresentação

O Projeto Rondon, coordenado pelo Ministério da Defesa, é um projeto de integração social que envolve a participação voluntária de estudantes universitários na busca de soluções que contribuam para o desenvolvimento sustentável de comunidades carentes e ampliem o bem-estar da população e busca aproximar esses estudantes da realidade do País, além de contribuir, também, para o desenvolvimento das comunidades assistidas.


O Projeto Rondon é realizado em estreita parceria entre diversos Ministérios e o imprescindível apoio das Forças Armadas, que proporcionam o suporte logístico e a segurança necessários às operações. Conta, ainda, com a colaboração dos Governos Estaduais, das Prefeituras Municipais, da União Nacional dos Estudantes, de Organizações Não-Governamentais, de Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público e de Organizações da Sociedade Civil.


As atividades realizadas pelos rondonistas, como são chamados os professores e estudantes universitários que participam do Projeto, concentram-se nas áreas de comunicação; cultura; direitos humanos e justiça; educação; meio ambiente; saúde; tecnologia e produção e trabalho.


As ações do projeto são orientadas pelo Comitê de Orientação e Supervisão, criado por Decreto Presidencial de 14 de janeiro de 2005. O COS, como é conhecido, é constituído por representantes dos Ministérios da Defesa, que o preside, do Desenvolvimento Agrário, Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Educação, Esporte, Integração Nacional, Meio Ambiente, Saúde e da Secretaria-Geral da Presidência da República.

domingo, 2 de janeiro de 2011

O Blog de Francisco Santos agradece aos patrocinadores e doadores.

Gilsonei Sales Santos
Gilsandro Sales
João Bosco
Osní Moura
Rodrigo Leonel